terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pelo que pôde se lembrar,

Sempre poderás escolher não ler.

Há onze anos eu ouvia pela primeira vez Faroeste Caboclo. Mas não é sobre essa história que eu quero contar. É sobre outra envolvendo uma música mais curta da Legião Urbana. Noto apenas que, enquanto a primeira canção está associada a um caso engraçado, de boa lembrança, a segunda relaciona-se a uma situação desconfortável para os que a presenciaram, que, a partir de então, passaram a ignorá-la.

Quando uma garota de olhos de ressaca, mas não do jeito que estás a pensar, me reencontrou, ela pensou que tudo então fazia sentido. Eu não consegui entender por que ela estaria naquele lugar tão distante de onde havíamos estado perto anteriormente.

Fui, portanto, atrás de informações e a custo retornei ao Orkut, lugar no qual achei respostas e onde ela dizia que nada representava melhor o que sentia no momento do que Quase Sem Querer.

No ano anterior, no qual passamos a não viver mais no mesmo lugar, ela me acusava, no mundo virtual e indiretamente, de indiferença e de jogar jogos de enganação, referindo ao presente e ao passado.

Ela estava certa nas acusações – havia lhe escrito para contar que a tinha visto na MTV, onde ela dissera o que mais desejava para aquele ano de 2005 (algo que podes facilmente imaginar o que era); parecia próximo no então novo mundo virtual-social, tornando reais suas prazerosas ilusões, para, a seguir, figurar-me frio, transformando seu sonho em desilusão; etc... –, mas não conseguiu chegar a resposta nenhuma sobre as razões disso.

Então, eu desapareci de sua vista, em qualquer mundo, sem mais nada que provasse minha existência além de sua lembrança. Daí ela seguiu em frente, quase esqueceu, despedindo-se daquele lugar que estava prestes a abandonar, como eu tinha feito um ano antes.

No momento em que ela me viu no fatídico corredor e eu a vi destinadamente sentada num tablado, ela deixou o lado bom vencer as memórias desconfortáveis e se apegou à crença de que toda história caminha para um final feliz por meios tortos.

Estava certa, na ideia. Apenas o final foi outro, a história foi mais longa e o caminho mais tortuoso.

(1/3)

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